A Louca de Elias Álvares Lobo:
introdução e análise documental
Resumen
O presente artigo constitui a primeira apresentação formal e introdução à ópera inédita A Louca, de autoria do compositor ituano Elias Álvares Lobo (1834–1901), abordando a sua trajetória histórica, as barreiras de difusão e o processo de salvaguarda e relocalização da partitura. Inserida no contexto da Imperial Academia de Música e Ópera Nacional e amparada teoricamente pela revalorização da ópera em língua nacional defendida pela musicóloga Vanda Bellard Freire, a obra — escrita sobre libreto de Antônio Aquiles de Miranda Varejão — permaneceu inédita e cercada pela hipótese do desaparecimento de seu quarto ato devido a entraves institucionais à época de sua composição, o que corroborou a sua obscuridade nos arquivos. A partir da sua relocalização, a ópera pôde, então, ser compreendida em sua completude. Assim, a identificação do manuscrito autógrafo integral no acervo da Biblioteca Alberto Nepomuceno e sua subsequente digitalização e disponibilização na Biblioteca Digital de Obras Raras da UFRJ, em novembro de 2025, permite o acesso democrático à totalidade da partitura que integra o patrimônio musical brasileiro dos oitocentos. Esse esforço, juntamente ao mapeamento documental em arquivos complementares, possibilita novas perspectivas para a historiografia da ópera brasileira.