Asterio Menezes, o compositor negro retinto da Bahia republicana:

legado musical impresso

Autores/as

  • Welissa Carvalho UFMG
  • Edite Rocha UFMG

Palabras clave:

Asterio Menezes, Bahia republicana, Compositores negros, Patrimônio musical, Reparação historiográfica, Modernidade negra

Resumen

A trajetória artística, as práticas editoriais e a circulação interurbana do compositor baiano Asterio Menezes (fl. 1912–1943) durante a Primeira República, nos leva a problematizar sua invisibilização nas narrativas da história da música brasileira. Este estudo foca na sua atuação como agente ativo na formulação de uma modernidade musical urbana, tomando suas partituras impressas como patrimônio histórico-musical e como lente para entender estratégias de afirmação cidadã no pós-Abolição. No processo metodológico, observam-se sob perspectiva musicográfica as partituras custodiadas no Acervo Impressão Musical na Bahia (NEMUS/UFBA), além do mapeamento hemerográfico e iconográfico de periódicos (1910-1930), sob o paradigma indiciário e leituras a favor e a contrapelo do arquivo, orientadas pelos conceitos de modernidade negra (Gilroy, 2001; Galante, 2024) e linha de cor sonora (Stoever, 2016). Os resultados apontam que Menezes operava em fluxos transversais entre autonomia mercadológica e trânsito polivalente nas esferas erudita, teatro de revista, bandas militares e o carnaval. Perante esta micro realidade, a agência de Menezes contradiz o mito racista do músico negro puramente intuitivo, e sua invisibilização expressa a seletividade estrutural dos processos de memória que organizaram a historiografia musical republicana, tornando a salvaguarda de sua obra um ato de reparação e de complexificação dessa história.

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Biografía del autor/a

Edite Rocha, UFMG

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Professora Adjunta em Musicologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui Licenciatura em Ensino de Música pela Universidade de Aveiro, Portugal (1999), Mestrado em Música Antiga pela Hochschule fur Alte Musik Basel, Schola Cantorum Basiliensis, Suíça (2004) com apoio do GRI-Cultura Portugal, e Doutoramento em Música pela Universidade de Aveiro (2010) com apoio da FCT, cuja tese em musicologia histórica, obteve o Prémio de Investigação Histórica D. Manuel I (2011). Líder do Centro de Estudos de Acervos Musicais Mineiros (CEAMM/CNPq), realizou pós-Doutoramento como pesquisadora integrada do Instituto de Etnomusicologia e Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) com o apoio da FCT e King's College London/Brazil Institute. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Música UFMG (2021-2024), atualmente membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFMG e coordenadora do Acervo Curt Lange / Rede de Museus UFMG (desde 2015), Grupo Curt Lange da Asociación Regional para América Latina y el Caribe da Internacional Musicological Society (ARLAC/IMS), e colaboradora do Núcleo Caravelas de História da Música Luso-Brasileira do CESEM (Lisboa) e do Núcleo de Estudos de Música Brasileira da UFMG.

Publicado

2026-10-22

Cómo citar

Carvalho, W., & Rocha, E. (2026). Asterio Menezes, o compositor negro retinto da Bahia republicana: : legado musical impresso. ANPPOM. Recuperado a partir de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/887

Número

Sección

ST-2. Patrimônio histórico-musical brasileiro: significados, funções, salvaguarda e relações com o presente

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