Territórios de resistência e memória viva
As manifestações culturais negras da Zona Norte do Recife e as teias da tradição
Palabras clave:
Música afro brasileira, Maracatu nação, Coco de roda, PernambucoResumen
Este artigo realizou uma cartografia etnográfica com objetivo de compreender os processos de concentração, resistência e permanência de grupos da cultura negra no território da Zona Norte do Recife. Para tanto, a pesquisa articula levantamento documento e abordagem etnográfica, tomando como objeto maracatus-nação, afoxés, caboclinhos, grupos de coco e escola de samba sediados na Região Político-Administrativa 2 (RPA 2) da capital pernambucana. Partindo dos conceitos de território usado (SANTOS, 2007), oralitura (MARTINS, 1997), amefricanidade (GONZALEZ, 1988) e identidade cultural (HALL, 2003; 2006), argumenta-se que tais manifestações constituem uma rede cultural territorializada responsável pela preservação, transmissão e atualização de saberes afro-diaspóricos. O estudo demonstra que a permanência dessas práticas não se fundamenta apenas em sua antiguidade histórica, mas na capacidade de produzir vínculos comunitários, fortalecer memórias coletivas e construir estratégias de resistência diante das transformações urbanas e das relações estabelecidas com o poder público.