Um Ruído Rosa
a participação feminina nas cinco principais gravadoras de heavy metal mundial
Palabras clave:
Feminino, Heavy metal, Gravadoras, Performance, MulherResumen
Esta pesquisa aborda a desigualdade de gênero e a divisão sexual do trabalho na música extrema, investigando a representatividade feminina nos catálogos das cinco principais gravadoras transnacionais de heavy metal: Metal Blade Records, Nuclear Blast, Century Media, Relapse Records e Napalm Records. O objetivo central é analisar como as assimetrias de gênero se materializam nas escolhas instrumentais das musicistas e como a indústria fonográfica opera essas identidades comercialmente. Metodologicamente, consiste em um estudo descritivo e analítico, de abordagem qualitativa e quantitativa, fundamentado no mapeamento estatístico de 837 bandas realizado por Lúcio (2023), sob o aporte teórico do patriarcado musical Green (1997) e dominação masculina Bourdieu (1998). Os resultados revelam uma profunda disparidade, demonstrando que a participação feminina se restringe a 166 bandas do ecossistema estudado. Constatou-se que a maioria das 157 mulheres identificadas atua como vocalista principal, enquanto funções que demandam virtuosismo técnico e visível esforço físico, como guitarristas e bateristas, apresentam ocupação marginal. Além disso, bandas integralmente femininas concentram-se apenas em duas gravadoras, evidenciando um ambiente predominantemente homossocial e androcêntrico. Conclui-se que o mercado fonográfico do heavy metal replica as estruturas patriarcais da sociedade ocidental, embora gravadoras como a Napalm Records utilizem a categorização de female bands como estratégia comercial no streaming. Assim, a almejada equidade na cena depende do esfacelamento das barreiras de formação instrumental, estimulando a ocupação de guitarras, baixos e baterias por mulheres como ferramentas de resistência e legitimação política.
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Citas
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