Música popular instrumental brasileira em Belém (PA)
perspectivas para uma historiografia e salvaguarda de memórias (1980–2000)
Palavras-chave:
Música popular instrumental brasileira, Belém do Pará, História Oral, Memória coletiva, Historiografia musicalResumo
A presente investigação realiza um estudo crítico, analítico e documental da Música Popular Instrumental Brasileira (MPIB) produzida em Belém do Pará, no arco temporal de 1980 a 2000. O objetivo geral é mapear, analisar, problematizar e salvaguardar a história e a memória dessa produção, investigando suas características estéticas, espaços de atuação e inserção na vida cultural local. Diante de uma profunda lacuna historiográfica estrutural e do risco iminente de apagamento decorrente da escassez de registros fonográficos formais, a pesquisa ancora-se em bases teórico-metodológicas interdisciplinares. O referencial teórico articula a filosofia da arte, as discussões sobre a Indústria Cultural de Adorno e Horkheimer, e os pilares da teoria da memória de Maurice Halbwachs, Pierre Nora e Joël Candau. Metodologicamente, adota-se a história oral como instrumento emergencial por meio de entrevistas semiestruturadas com protagonistas remanescentes, associada à triangulação de fontes documentais indiretas, como jornais de época, acervos iconográficos e digitalização de registros audiovisuais raros de arquivos particulares. Os resultados parciais revelam que conjuntos seminais como o Grupo Gema e o Anestesia Geral atuaram como polos de inovação estética e sociabilidade em espaços noturnos como o bar-teatro Maracaibo e o Roxxy Bar, desenvolvendo hibridizações com o jazz, rock e fusion, amalgamados a referências amazônicas. Conclui-se que o trabalho promove uma ruptura epistemológica ao descentralizar a historiografia musical oficial brasileira, retirando a região Norte da invisibilidade e resgatando as memórias e modos de fazer musical daquela geração, servindo como subsídio para a salvaguarda patrimonial e pedagógica contemporânea.