O crime não é marshmellow: AreZona e o rap gangsta em Belo Horizonte
Palavras-chave:
rap, Hip Hop, gangsta, Belo Horizonte, Música negraResumo
Este trabalho analisa a faixa “O Crime não é Marshmellow”, do grupo AreZona, como estudo de caso da estética do rap gangsta em Belo Horizonte e em sua região metropolitana. O objetivo é compreender como o grupo articula sonoridade, performance vocal, oralidade local e narrativas do “código da rua” para construir uma perspectiva de insider sobre o cotidiano periférico e criminalizado. A análise combina escuta musical, descrição de elementos do beat e da voz, transcrição de trechos da letra e diálogo com entrevistas/conversas com agentes da cena hip hop local, além de referências sobre gangsta rap e cultura urbana. Os resultados apontam que a faixa mobiliza instrumentais minimalistas, interlúdios de teor documental, gírias e referências territoriais para produzir realismo, tensão e autoridade narrativa. Conclui-se que, apesar do declínio dessa estética no cenário local, seus códigos permanecem ativos em trajetórias artísticas e coletivos posteriores.