Cellofunk:
o funk brasileiro no violoncelo
Palavras-chave:
Violoncelo, Funk brasileiro, Cellofunk, Autoetnografia, Pesquisa ArtísticaResumo
Neste artigo apresento um recorte da minha pesquisa de mestrado, intitulada Cellofunk: o funk brasileiro no violoncelo, cujo objetivo central foi investigar as possibilidades de interpretação, criação e difusão do funk brasileiro por meio do violoncelo, um instrumento tradicionalmente associado à música de concerto. A pesquisa se insere no campo da pesquisa artística e foi desenvolvida a partir de uma abordagem autoetnográfica, compreendendo minha própria trajetória como músico da periferia da Zona Noroeste de São Paulo. A metodologia combinou experimentação prática, arranjo e performance de repertório funk, produção musical autoral, ações de mediação cultural e análise de recepção. Os pressupostos teóricos incluem autores como Sueli Carneiro, Carlos Palombini, Stuart Hall e Paul Gilroy, articulando reflexões sobre afrodiáspora, epistemicídio, legitimidade cultural e criminalização do funk. Entre os principais resultados, destaco a criação do conceito de cellofunk, a realização de dois recitais — um acústico e outro com o violoncelo amplificado — a produção da faixa autoral Lobo-Guará, composta a partir de timbres extraídos do violoncelo e a elaboração de 3 arranjos para quarteto de violoncelos. As experiências performáticas e pedagógicas revelaram não apenas o potencial expressivo do instrumento em diálogo com o funk, mas também as barreiras simbólicas e institucionais que dificultam sua popularização em contextos periféricos. Concluo que o cellofunk opera como estratégia de ressignificação estética, resistência política e aproximação entre universos musicais historicamente apartados, propondo novos modos de escuta e produção cultural.
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Referências
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