Economia Humana como aglutinadora da rede de sustentabilidade do projeto musical Putrefação Humana:
Barulho e longevidade musical a partir do albúm Colhendo Desespero (1994)
Palavras-chave:
Etnografia marxista, Lukács, Trabalho musical, Economia do cachê, AlienaçãoResumo
Este trabalho investiga os mecanismos de longevidade e sustentabilidade do projeto musical Putrefação Humana, ativo há 36 anos no cenário do “grindnoise”/“noisecore”. Esta vertente radical do punk opera às margens do mercado fonográfico hegemônico, sustentando-se por uma rica capilaridade midiática formada por trocas de fitas, fanzines e contatos diretos. O objetivo é mapear a rede de sustentabilidade do grupo sob a noção de “anti-lucro”, analisando o processo de produção e circulação da fita cassete Colhendo Desespero (1994). A base teórico-metodológica articula a “mediação musical” de Georgina Born, a Teoria Ator-Rede de Bruno Latour e a Antropologia Econômica de David Graeber, com foco nos conceitos de "Economia Humana" e “comunismo de base”. Refletimos, ainda, sobre os desdobramentos da “convergência midiática” de Henry Jenkins neste fenômeno. Ao rastrear interações entre agentes humanos (músicos, editores, redes afetivas) e não humanos (gravadores, mídias físicas, circuitos geográficos), o estudo analisa como a economia humana sobrepõe a de mercado através da criação e transformação de relações, focando na continuidade relacional em detrimento do acúmulo de bens. Os resultados indicam que a longevidade do projeto independe de retornos financeiros, sustentando-se pela ampliação da capilaridade social e satisfação estética e moral. Conclui-se que o mapeamento dessas redes oferece à musicologia novos marcadores qualitativos para avaliar a sustentabilidade de manifestações culturais periféricas.