A dona da voz

reflexões sobre canto, violência e disputa de narrativas a partir da pedagogia vocal

Autores

  • Simone Valle UFRJ

Palavras-chave:

pedagogia vocal, violência de gênero, canto popular, feminismo

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a pedagogia vocal a partir da análise das estruturas de violência descritas por Segato (2025). Parte-se da compreensão de que a violência de gênero opera também por dispositivos simbólicos que regulam corpos, estéticas e modos de enunciação. Argumenta-se que, em contextos atravessados por essas estruturas, a capacidade de falar e cantar, particularmente de mulheres, pode ser comprometida, na medida em que a expressão vocal se torna marcada por risco, silenciamento e exigências normativas. Nesse sentido, investiga-se como práticas da pedagogia vocal podem reproduzir hierarquias coloniais e masculinistas, mesmo quando se apresentam como espaços de cuidado e liberdade expressiva. Por fim, desenvolvem-se reflexões ético-pedagógicas sobre modos de pensar a pedagogia vocal que priorizem a presença, a experiência encarnada e a enunciação, sem a pretensão de oferecer soluções normativas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALVES, Aldrey Cristine. As marcas da desigualdade a de gênero na escolarização e educação musical. Dissertação (Mestrado em Educação Musical) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.

BEAUVOIR, Simone de.O Segundo sexo vol. I. Fatos e Mitos. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. Tradução de Sérgio Milliet. [1949]

DEALDINA, Selma dos Santos (org.). Mulheres quilombolas: territórios de existências negras femininas. São Paulo: Jandaíra, 2020.

FREIRE , Paulo. Pedagogia do Oprimido . 17ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1970. 107p.

GELAMO, Renata Pelloso. Narrar a voz: trajetórias de uma voz-experiência em busca da voz própria. 2018. Tese (Doutorado em Artes) – Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo, 2018.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Revista Estudos Afro-Asiáticos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 5, 2010.

GILLIGAN, Carol. Uma voz diferente: teoria psicológica e o desenvolvimento feminino. Tradução de Ana Maria G. L. Ioriatti. Petrópolis: Vozes, 2021.

– Cap. 1: O lugar da mulher no ciclo de vida masculino.

– Cap. 5: Direitos femininos e o julgamento feminino.

GREEN, L. (2017). Identidade de Género, experiência musical e escolaridade. Revista Música, Psicologia E Educação, (2), 47–64. https://doi.org/10.26537/rmpe.v0i2.2401

HERNÁNDEZ ROMERO, Nieves. A influência da educação musical na transmissão de papéis sociais associados ao gênero. Madrid: Universidad de Alcalá, Departamento de Didática, 2010.

LUGONES, Maria. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar: 2020. p. 52-83.

MARTINS, Maria Leda. Performances da oralitura: corpo, lugar da memória. Letras nº 26 - Língua e Literatura: Limites e Fronteiras. Programa de Pós-Graduação em Letras - PPGL/UFSM, 2003, p. 63-81.

MOTA, Yanaêh Vasconcelos; OLIVEIRA, Mário André Wanderley; BARBOSA, Francisco Ernani de Lima; SAMPAIO, Michel Vincent de Oliveira. Gênero e sexualidade na educação musical escolar: vamos pensar juntes? Revista Música e Educação Brasileira, v. 13, n. 1, p. 1-16, 2024. DOI: https://doi.org/10.33054/MEB131603.

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo Martins Fontes, 2013.

NÚÑEZ, Geni. Perspectivas guarani sobre binarismos da colonização: caminhos para além das monoculturas. Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 15, n. 40, p.2 – 31, 2023.

PRADO, Bruna Queiroz. Para gritar o céu: o canto como desobediência feminina à cultura dos homens. 2019. 1 recurso online (129 p.) Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes, Campinas, SP. Disponível em: https://hdl.handle.net/20.500.12733/1636853. Acesso em: 27 fev. 2025.

QUEIROZ, Luis Ricardo Silva. Traços de colonialidade na educação superior em música do Brasil: análises a partir de uma trajetória de epistemicídios musicais e exclusões. Revista da ABEM, v. 25, n. 39, p. 132–159, 2017.

SANTOS, Antônio Bispo. Colonização, quilombos. Modos e significados. Brasília: INCT, 2015. 149p.

SEGATO, Rita Laura. As estruturas elementares da violência: ensaios sobre gênero entre a antropologia, o psicanálise e os direitos humanos. [S.l.]: Bazar do Tempo, 2025. ISBN 978-6585984386. [2003]

SEGATO, Rita Laura. Território, soberania e crimes de segundo Estado: a escritura nos corpos das mulheres de Ciudad Juarez. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 13, n. 2, p. 265-285, maio/ago. 2005. DOI: 10.1590/S0104-026X200500020004.

SEGATO, Rita Laura. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. e-cadernos CES, n. 18, p. 106-131, 2012. Disponível em: http://journals.openedition.org/eces/1533. DOI: https://doi.org/10.4000/eces.1533.

TIBURI, Márcia. Como conversar com um fascista: reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro. Rio de Janeiro: Record, 2015.

TIBURI, Márcia. Feminismo em comum: para todas, todes e todos. 4. ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2020.

VELON, Marcela. "Brasil, o país das cantoras: Reflexões sobre colonialidade de gênero e canto popular brasileiro." Anais do VII SIMPOM, n. 7, 2022. Disponível em: https://seer.unirio.br/simpom/article/view/12467. Acesso em: [janeiro de 2025].

VIEIRA, Helena. Feminismo Decolonial e Queer of Color: Crítica, Pensamento e Ação Política. Curso ministrado online, [2024]. Disponível em: https://www.sympla.com.br/login?redirect=%2Fsympla-play%2FKy34bCiW5zFmVOZWC6FUkx2AJgDQt45NzBSGc5IZtUM

Downloads

Publicado

2026-10-21

Como Citar

Valle, S. (2026). A dona da voz: reflexões sobre canto, violência e disputa de narrativas a partir da pedagogia vocal. ANPPOM. Recuperado de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/608

Edição

Subáreas

ST-7. Música, Corpo, Gênero, Sexualidade e Feminismos

Formatos