Notas sobre a frente ampla abolicionista
protagonismo musical e agência política de Viriato Figueira da Silva (?-1883)
Palavras-chave:
Viriato Figueira da Silva, Conferências Emancipadoras, Frente ampla abolicionista, Ativismo musical abolicionistaResumo
A pesquisa em andamento recoloca em cena o protagonismo político e estético dos músicos envolvidos na frente ampla abolicionista no Rio de Janeiro nas décadas finais do séc. XIX, e vem destacando diversos agentes invisibilizados ou secundarizados pela historiografia. Esta comunicação ressalta a participação do flautista, saxofonista, professor, compositor e regente Viriato Figueira da Silva (? - 1883) como uma das principais lideranças nas Conferências Emancipadoras, suas produções musicais, a crítica ao nepotismo imperial e sua inserção junto às redes de solidariedade que envolviam artistas, intelectuais e trabalhadores negros e mestiços. Discute uma série de imprecisões sobre sua trajetória, sua agência musical e política, secundarizada diante de seu amigo Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880). A pesquisa aponta músicos equivalentes na cena musical carioca, sugere o nome de seu professor e possíveis locais de seu aprendizado. Um dos objetivos é destacar as possíveis razões que diminuíram a sua importância historiográfica e como performances e opções estéticas foram ferramentas políticas e de cidadania naquela conjuntura. Atuando em diferentes realidades sonoras e socioculturais, como muitos de sua geração, Viriato foi um dos músicos que mais veementemente lutou pelo fim da escravidão no país, transformando criações musicais e virtuosismo em instrumento de agência e crítica social. Para recolocar a importância desse ativismo, o grupo de pesquisa inspira-se em Benjamin (1994), recusando as invisibilizações construídas e a perspectiva de Hartman (2021; 2024) para reparar fissuras documentais. Destaca ainda como o grupo de pesquisa vem atualizando a experiência desses músicos.