Fragmentos sobre um violão distribuído
Palavras-chave:
Violão, Pesquisa Artística, Ontologia Processual, Cooperação ArtísticaResumo
Este artigo investiga processos criativos e performáticos nos quais o violão é compreendido como efeito de relações, a partir de uma perspectiva processual inspirada na filosofia de Deleuze e Guattari. A análise dos processos criativos de Méditation, faite à la lecture du traité de nomadologie e Versaiten evidencia como objetos ordinários, sistemas computacionais, materiais acústicos e práticas performativas e composicionais participam da constituição de diferentes efetuações do instrumento. Esses processos revelam ainda uma dimensão compartilhada da criação, na qual os artefatos não operam somente como meios passivos subordinados a uma intenção subjetiva, mas como elementos que desviam, condicionam e transformam os próprios caminhos criativos. Do mesmo modo, o gesto composicional não se apresenta somente como etapa anterior à performance, mas como processo continuamente atravessado por experimentações, dissolvendo fronteiras rígidas entre composição e performance. Nesse contexto, o violão é como uma estabilização local de relações continuamente transformáveis.