Arca de pandora
Uma ferramenta de inteligência artificial para o processamento integrado de procedimentos da Teoria Pós-Tonal, da Teoria dos Contornos e do Sistema Schillinger de Composição Musical
Resumo
Este artigo apresenta a Arca de Pandora, uma ferramenta de inteligência artificial generativa concebida como um agente de composição musical capaz de processar, de forma integrada, procedimentos derivados da Teoria Pós-Tonal (Straus, 2004), da Teoria dos Contornos (Morris, 1987; Sampaio, 2012) e do Sistema Schillinger de Composição Musical (Schillinger, 2004). O trabalho dá continuidade a Dantas e Alves (2025), no qual foram identificadas convergências e divergências operacionais entre as três teorias no tratamento do parâmetro altura. Diante da constatação de que as ferramentas computacionais anteriores: Pd-Syncker, J-Syncker, Zarlino e PCN, operavam de forma isolada e incompatível entre si, a Arca de Pandora foi projetada para superar essa fragmentação. Sua arquitetura organiza-se em dois estágios: um gerativo, baseado nos procedimentos do Sistema Schillinger, e um normativo, que aplica critérios da Teoria Pós-Tonal, da Teoria dos Contornos e de algumas regras estéticas de composição. As instruções algorítmicas de cada teoria são armazenadas em um banco de dados relacional, e os resultados são apresentados diretamente em notação musical. A experimentação demonstrou que a ferramenta reproduz os procedimentos individuais de cada teoria, combina procedimentos de teorias distintas em uma mesma operação e aplica critérios normativos automaticamente durante a geração. Concluímos que o mapeamento de um contorno sobre uma escala de alturas, com aplicação da retrogradação e da regra de unicidade do ponto culminante (Guerra Peixe, 1988) evidenciou o potencial integrativo e pré-composicional da ferramenta.