Do mapa à ecologia sonora:
escuta, cartografia e território no Mapa Sonoro Eletroacústico de Florianópolis
Resumo
Este artigo apresenta o projeto Mapa Sonoro da cidade de XXXX, em fase de desenvolvimento, voltado à criação de uma plataforma georreferenciada para registro, organização e disponibilização pública de materiais sonoros, musicais e bibliográficos relacionados à cidade. O objetivo é discutir o mapa sonoro como dispositivo de escuta, memória e cartografia, articulando práticas de gravação de campo, documentação sonora e mediação tecnológica. A proposta consiste em discutir o referencial da ecologia acústica e da paisagem sonora em R. Murray Schafer, Hildegard Westerkamp e Barry Truax, mobilizando também estudos recentes sobre cartografia sonora e iniciativas de mapeamento no Brasil. Em seguida, debate-se a ecosofia de Félix Guattari e a leitura de Makis Solomos sobre as três ecologias, de modo a compreender a escuta da cidade para além da descrição de ambientes acústicos, envolvendo também dimensões sociais e subjetivas da experiência sonora. Metodologicamente, o projeto articula revisão bibliográfica, levantamento de mapas sonoros existentes, oficinas teórico-práticas sobre gravação de campo e mapeamento sonoro, escutas e análises de paisagens urbanas e naturais e desenvolvimento de uma plataforma digital em WordPress e uMap. Como resultado parcial, argumenta-se que o mapa sonoro pode ser compreendido como uma prática de cartografia relacional, na qual ambiente, memória, modos de habitar e escutar, relações comunitárias e processos de subjetivação se entrelaçam. Observa-se que a noção de ecologia sonora amplia o campo da ecologia acústica ao permitir pensar o mapa não apenas como arquivo de sons do território, mas como dispositivo ecosófico de documentação, criação e circulação de experiências sonoras em contexto urbano e insular.