Coordenadas político-estéticas da música informal de Adorno repensadas a partir da improvisação radical
primeiras direções
Keywords:
Improvisação, Theodor Adorno, Free jazz, Composição, Processos criativosAbstract
Buscamos esboçar uma aproximação entre a musique informelle proposta por Theodor W. Adorno (2018) e aquilo que aqui denominamos improvisação radical conforme concretizada maiormente no free jazz e na improvisação livre não-idiomática. Faremos isso focalizando a questão da liberdade ou da libertação musical, tratada a partir de Adorno como forma de mediação entre o ato construtivo subjetivo e o caráter de objetividade dos materiais e sistemas formais musicais. Propomos então uma caracterização inicial do modo como esta mediação se faz presente na música informal e na improvisação radical, delineando suas aproximações e divergências. Por fim, sugerimos que estas divergências advêm de uma distinção entre as bases político-estéticas de ambas as músicas, abordando a improvisação radical a partir de uma aproximação a autores da tradição política-estética negra como Gilroy (2012) e Moten (2023) para esboçar que a potencialidade política-estética radical singular da improvisação estaria vinculada àquilo que Lewis (1996) caracteriza como seu fundamento afrológico.