O Apagamento de Johnny Alf, Leny Andrade e Alaíde Costa no caldeirão de preconceitos da bossa nova e sambajazz
Resumo
Este artigo analisa os mecanismos de visibilidade desigual e apagamento histórico enfrentados por Johnny Alf, Leny Andrade e Alaíde Costa na consolidação da bossa nova e do sambajazz. Com base em conceitos como apropriação cultural (William, 2020), racismo estético (Xavier, 2025) e racismo cordial (Rodrigues, 1995), discute-se como os meios de comunicação contribuíram para a marginalização de contribuições negras ao gênero. Embora sustentados por elementos da diáspora africana, a bossa nova e o sambajazz foram moldados por hierarquias raciais e outros marcadores de exclusão — como misoginia, homofobia e gordofobia. A pesquisa, apoiada na literatura de textos, entrevistas em vídeos, fotos, registros fonográficos, evidencia a centralidade estética e histórica desses artistas e propõe uma revisão crítica das narrativas consagradas, contribuindo para reconfigurar os paradigmas de modernidade musical brasileira.